Imagining Life at 88
Proponho que comecemos esta crónica com um exercício: vamos imaginar que cada um de nós tem 88 anos e que, amanhã, vamos dar entrada num lar de idosos. O lar, porque a nossa reforma ronda os 700 euros, é uma IPSS onde residem 50 idosos. Nessa IPSS há três quartos individuais, mas todos estão ocupados – e, mesmo que não estivessem, dificilmente conseguiríamos pagá-los. Assim, iremos dividir o quarto com outra pessoa, mas não fazemos ideia quem seja. Estamos nervosos, é claro. Amanhã deixaremos a nossa casa e não sabemos o que vamos encontrar. Esta noite mal dormimos e, quando o dia finalmente nasce, olhamos para as malas que deixámos prontas. Para além da roupa, do rádio e dos medicamentos, colocámos lá dentro três fotografias: uma do dia do nosso casamento, uma dos nossos filhos e outra dos nossos netos e bisnetos. Bebemos um café de cevada e comemos uma torrada que é a única coisa que o nosso estômago tolera de manhã. E é então que a nossa filha mais velha aparece à porta e nos pergunta se estamos prontos.
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